Por um Jurídico mais social

Publicado em 4 de janeiro de 2016 por katia.bicudo

Desde o início do curso de Direito no Brasil em 1828 e mesmo antes, quando as famílias mais abastadas conseguiam enviar seus filhos para estudar na Europa; a carreira da advocacia sempre esteve entre as preferidas pelos pais e admiradas pela sociedade. Talvez pela seriedade, pelo status e porque não dizer, pela elegância e pelo glamour que existiam em torno da profissão.

Alguns leitores, mais antigos, ou melhor: jovens há mais tempo, lembrarão saudosos da época em que os advogados encontravam-se no centro da cidade de São Paulo, nas imediações da Praça da Sé e reuniam-se para tomar um café, discutir algum caso e, invariavelmente, comentar a situação política e econômica do país.

Esses eram tempos em que predominavam os escritórios pequenos, normalmente com uma assistente que atendia aos clientes, cuidava dos compromissos e agendamentos e, também, operava a saudosa – para alguns – e desconhecida para outros – máquina de escrever.
E quanta coisa não mudou desde então.

O crescimento das faculdades de direito em todo o país, o aumento da concorrência entre os profissionais, a diversificação da atividade, as especializações necessárias para atender aos clientes e seus objetivos cada vez mais estratégicos, sem falar dos avanços tecnológicos, que transformaram o universo da advocacia, especialmente, mas não exclusivamente, empresarial.

Não podemos deixar de mencionar as mudanças econômicas, políticas e sociais ocorridas em todo o mundo, a globalização da economia e todos os processos vivenciados nas últimas décadas: reengenharia, downsizing, terceirização, fusão de escritórios, criação de centros de serviços compartilhados e a consequente transformação da profissão de advogado, ou melhor dizendo, da forma como os advogados se reconhecem e como são vistos pela sociedade.

Não é raro ouvirmos piadas de advogado… com o que eu nem me incomodo, sendo bastante sincera… encaro como brincadeiras que não atingem o orgulho e o respeito que tenho pela profissão que escolhi há mais de vinte anos.

Por outro lado, os advogados constantemente são lembrados como responsáveis pelo crescimento das demandas judiciais no país, muitas delas ajuizadas num cenário de oportunismo, má-fé ou como forma fácil de enfrentar as dificuldades financeiras e levantar recursos. Esse sim é um ponto que me afeta e para o qual nem sempre encontro as explicações e justificativas.

Sei que posso parecer ingênua ou com uma visão romântica ou ultrapassada do mundo corporativo, globalizado, competitivo e digital no qual estamos inseridos… mas, acredito que não devemos nos afastar dos valores e princípios da advocacia e devemos buscar, ainda que indiretamente, o equilíbrio nas relações, o ganho justo pelas partes, o fim do abuso, qualquer que seja ele, econômico, social, político, religioso, familiar etc.

O acesso à justiça é direito de todos. O direito à defesa deve ser oferecido a qualquer cidadão que dele necessite. Isso é o que diz a nossa legislação e o que deve dizer a nossa consciência também.

Mas, não nos esqueçamos de usar o nosso conhecimento e discernimento para trazer informação, clareza, oportunidades de crescimento e desenvolvimento para todos: nossos clientes, é claro, mas também para nossos parceiros, nossos colaboradores, nossa cidade, nosso país e porque não dizer para o mundo.

Somos advogados, mas antes de tudo somos pessoas e, como li, recentemente: apesar de todos os recursos materiais que podemos ter à mão, somente um ser humano pode ajudar outro ser humano.

 

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